HUMOR

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Ponta Da Piedade Could Very Well Be The Most Beautiful Beach On Earth

Um cantinho à beira mar plantado, este meu querido PORTUGAL que Camões soube idolatrar.

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Todo ela…Toda ele 5

Todo ela…Toda ele 5

14 de Fevereiro de 2014 às 2:13

 

 

O cheiro…apenas o cheiro das suas mãos…

 

A chuva insistia em não partir e permanecer nos seus dias que já se haviam tornado insípidos.

Morriam os dias e o ruído daquele silêncio tornava-se ensurdecedor no seu coração, abatido e coberto pela humidade indesejada.

As perguntas chegavam-lhe à razão tão bruscamente,que lhe adormeciam as batidas do coração.

Ela não sabia o que sentia, não pensava no que dizia, não reconhecia os seus passos, somente lavava a sua face involuntariamente com as lágrimas diárias que lhe abordavam aos olhos, enviadas por uma história acontecida.

Cada uma trazia uma lembrança. A lembrança de um momento, de um vício, de uma paixão avassaladora.

 

Aquele olhar…aquele abraço…aquele beijo…aquele toque…aquele sorriso…

 

Aquelas lembranças vividas, viciadas por uma adrenalina injetada pela senhora dona paixão, escoltavam os seus pensamentos.

Amargurada e presa a um sentimento duro, vivia os seus dias ao empurrão.

Todos que a olhavam, topavam-na fitando-lhe um olhar de esgueira e de inquietação pura.

Ela nem se sentia. Ela não se amava. Ela não se desejava mais.

Ela perdera-se naquela invisibilidade do seu ser, perdera-se nos cheiros que a perseguiam e rodeavam, entranhando e alojando-se na memória dorida.

 

O cheiro…apenas o cheiro das suas mãos…

 

Toda ela…era ele. Todo ele…foi ela, um dia.

 

A solidão que a abraçava falsamente, traduzia-se no desapegar de um vício louco de paixão, que matava a sua alegria diária, o seu brilho matinal, a sua clareza pessoal.

Tudo era transparente nela.

Ela tornara-se invisível, sem proteção alguma. Tudo lhe entrava no corpo, na alma, escondendo-se no coração, sem que ela sequer soubesse.

Era um corpo tenso, um corpo destreinado já, um corpo viciado por ele, pelo cheiro dele.

Era um falso corpo apenas.

Seus olhos impreterivelmente em desespero, experimentavam comunicar ao mundo, porque as palavras prendiam-se infalivelmente numa língua saudosa dele…só dele, nuns lábios gelados pela ausência do seu calor e não deixavam fluir as linguagens.

 

Aquele olhar…aquele abraço…aquele beijo…aquele toque…aquele sorriso…

 

Ele. Era tudo o que lhe faltava. Ele. Era tudo o que lhe faltava.

Tudo em volta dela era nada. As vozes dos outros ecoavam longe. Num caminho infinito talvez.

Ela desejava não ouvir.

Ela queria não sentir. Doía. Doía muito.

Ela queria dormir.Era nos sonhos que ela o sentia.Era nos sonhos que ela o via.Era nos sonhos que tudo era real.

Os risos histéricos dos inocentes não a abraçavam com a mesma intensidade. Estava perdida. Ela estava perdida nela…simplesmente nela.

Perdida nele apenas.

Toda ela…era ele. Todo ele…foi ela, um dia.

(Tu prometes-te. Prometes-te que não o farias. Falhas-te).

O dia dela cingia-se a estas palavras.

Apenas a estas palavras.

 

(cont.)

 

Isabel Terroso Costa

14/02/2014

Noticias ao Minuto – “Isto não é um talho onde se corta sem pensar na vida das pessoas”

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